quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Celebre a inovação além dos gadgetsVolta
É preciso parar de cultuar apenas objetos glamourosos como os iPods, diz catedrático
Revista Época Negócios
Álvaro Oppermann
Edição 8 - Outubro 2007
Nem só de lampejos geniais vive o processo de inovação no mundo da economia. Isso pode ser uma verdade lapidar, mas ela nunca foi tão repetida como nos últimos tempos. Segundo David Edgerton, professor de tecnologia do Imperial College de Londres, para entendermos a inovação, devemos deixar de nos concentrar apenas em aparelhinhos fabulosos, como o iPod da Apple ou o novo modelo de celular, e abrir o foco para as coisas tidas como comuns. Fazendo eco ao professor inglês, o norte-americano Larry Keeley, presidente da consultoria Doblin Inc. - especializada em processos de inovação eficiente -, elaborou recentemente uma lista das coisas mais inovadoras da história econômica moderna. Nela não faltam itens como o bom e velho contêiner. Sem ele, diz Keeley, seria impossível a revolução na cadeia de distribuição de bens e mercadorias no mundo. Quando o tópico são os grandes inovadores, Edgerton vai ainda mais longe: "Ao analisarmos a história do uso da tecnologia nas sociedades, enxergamos que tão importante quanto inventar algo novo é saber pegar emprestado o que foi inventado pelos outros, utilizando o que é útil e descartando o inútil". Segundo o professor, a história nos mostra que alguns dos países mais progressistas do século 20, como a China e o Japão, não se destacaram - até recentemente - como grandes inovadores.
Ainda, a inovação não deve pautar apenas a pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos como também moldar a própria mentalidade das sociedades capitalistas. Como isso se dá? Keeley demonstra que um dos motores do capitalismo americano foi uma inovação jurídica simples, mas decisiva: o conceito da responsabilidade limitada. "Uma sociedade com limitação de responsabilidades significa que o indivíduo não está em risco pessoal quando a empresa para a qual trabalha - ou na qual ocupa até um cargo de direção - comete um erro", diz o consultor. Isso fomentou a tomada de riscos na história da economia dos EUA. Keeley observa que tal conceito, apesar de universal nos códigos civis, não é assimilado culturalmente em países como a Rússia, um dos fatores que ajuda a emperrar a inovação no país. "Na época da bolha da internet, uma delegação russa em visita ao Vale do Silício ficou muito surpresa de saber que os principais executivos das companhias pontocom em bancarrota não estavam atrás das grades, mas, sim, ocupando cargos importantes em outras empresas", diz ele.
Por fim, Edgerton alerta que, enquanto tivermos a percepção de que a inovação deve ser sempre brilhante e grandiosa, corremos o risco de manter inalterado o estado das coisas - o que pode ser catastrófico quando se pensa em questões prementes como o aquecimento global. "Muitos analistas falam da necessidade de novos investimentos para soluções em tecnologia que serão postas em prática em cinco, dez ou 20 anos. Não há tempo para isso. A maior inovação, relativa a essa questão, seria as pessoas acordarem para o fato de que as soluções devem ser buscadas agora, mesmo que sejam simples", conclui.
Evangelizadora do designVolta
Revista Época Negócios
Edição 8 - Outubro 2007
Mais do que emprestar beleza aos produtos, o design transformou-se em estratégia e ferramenta de inovação na americana Procter & Gamble. Uma missão da vice-presidente: educar a corporação para extrair valor do poder do design
[Figura]
Numa atitude pioneira entre as grandes empresas de bens de consumo, a americana Procter & Gamble (P&G) criou, no início da década, uma vice-presidência mundial encarregada de três questões vitais para seu negócio: estratégia, design e inovação. Para ocupar a posição, o CEO Alan Lafley convidou Claudia Kotchka, de 56 anos, que se tornou uma evangelizadora da disciplina nos domínios da P&G.
1>>> Como fazer com que os empresários entendam que design não é só estética e, sim, estratégia? Lucas Santos | Maracanaú, CE
Na P&G, um de nossos desafios é explicar como o design pode ter impacto construtivo em nosso negócio. Descobrimos que dar exemplos concretos é muito eficiente. Geralmente, mostramos produtos ou serviços que usaram o design para reestruturar totalmente o negócio.
2>>> Quais fatores atrapalham as empresas para que elas tenham uma cultura voltada para o design e a inovação? Fabio Camargo | São Paulo, SP
Para ter uma cultura com essa visão, é preciso, em primeiro lugar, ter o sólido suporte de uma liderança sênior. Alan Lafley, CEO da P&G, é um grande defensor do design. Em segundo lugar, é necessário ter uma compreensão ampla do valor do design. Conseguimos isso pela educação e o estudo de casos. Além disso, é crucial integrar o design ao negócio. Na P&G, trabalhamos em equipes multifuncionais que incluem design, marketing, pesquisa e desenvolvimento, entre outras funções. Finalmente, a empresa precisa sentir a necessidade de evoluir do conceito de design no plano cosmético para o estratégico.
3>>> O design agregou vantagens competitivas à empresa? Quais? Alexandre Mori | São Paulo, SP
Em um mundo comoditizado, o design é o que tem feito a diferença. Ele ajuda a criar produtos e marcas que o consumidor ama de verdade. Em maior escala, a lógica do design permite imaginar possibilidades criativas que a empresa pode realizar para ter sucesso. Isso ajuda muito a resolver situações que necessitam uma ruptura - seja em razão do mercado, seja da meta de crescer mais.
4>>> Qual a contribuição do design para o aumento da lucratividade? Sergio Borges | São José dos Campos, SP
Usamos o design além do espectro do produto e da marca. Quando você faz isso, os consumidores recompensam a empresa com lealdade.
5>>> Até que ponto o design influencia no sucesso de um novo produto? Guilherme Ribeiro Lacerda | Uberaba, MG
Descobrimos que o investimento em design garante o sucesso de um produto, seja ele novo, seja reformulado. Um exemplo é o Ace Naturals no Brasil. A marca vinha sendo modificada, e precisávamos divulgar os novos benefícios pelo público-alvo. Em razão disso, desenvolvemos uma estratégia baseada em cores para ficar em destaque na prateleira, o que trouxe melhores resultados do que esperávamos.
6>>> A Procter & Gamble possui uma equipe para desenvolvimento de produto e de embalagem no Brasil? Dário Ramos Filho | Rio de Janeiro, RJ
O grupo latino-americano de design fica em Caracas. Também contratamos escritórios de design, inclusive do Brasil, para alguns projetos. O Brasil possui grandes talentos nessa área.
7>>> Qual o perfil profissional dos gestores que influenciam na aprovação de um produto? Érica Rodrigues da Silva | São Bernardo do Campo, SP
A cada diferente estágio do processo, diferentes pessoas em diferentes funções interferem e aprovam o desenvolvimento do produto. Funções-chave incluem profissionais de pesquisa e desenvolvimento, marketing, inteligência de mercado, design, entre outras.
8>>>Quais são as habilidades necessárias para o designer hoje e no futuro? Thiago Monteiro | Rio de Janeiro, RJ
Além de ser formados, os designers precisam entender o negócio e conhecer a língua do mundo dos negócios. Designers são ótimos em entender as necessidades do consumidor, mas eles também precisam entender coisas como a estratégia do negócio, a dinâmica do mercado e os custos de produção.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Empresas vão à Justiça por endereços na internet Volta
No Brasil, mais de mil casos foram à Justiça devido à disputa por endereços eletrônicos.
Em alguns, donos das marcas venceram quando a intenção de golpe ficou clara.
Mídia eletrônica: Portal G1
http://g1.globo.com/
Ligia Guimarães
Do G1, em São Paulo
Num universo crescente de sites, palavras e imagens como o da internet, como garantir que ninguém, além da sua empresa, usa a marca que você tão precavidamente patenteou?
Segundo especialistas, o Brasil já acumula mais de mil casos que foram parar na Justiça envolvendo disputas por domínios, como são chamados os endereços na rede de computadores.
Garantir a proteção de uma marca num ambiente dinâmico como o da web não é tarefa simples: em nome da proteção, empresas fazem buscas cada vez mais minuciosas, a fim de detectar possíveis homônimos ou endereços parecidos.
É o caso da operadora de telefonia celular Oi, que recentemente se deparou com um site que usa parte de seu nome no endereço eletrônico. A empresa enviou notificação extrajudicial ao responsável pela página, exigindo extinção ou mudança de endereço eletrônico num prazo de cinco dias.
Por enquanto, o caso não se estendeu na Justiça. Ao ser notificado, o consultor de informática Wellington Moreira, 26 anos, respondeu, dizendo que se recusava a tirar o site do ar. Mas diz que não voltou a ser procurado pela empresa.
“Não me deram opção ou tentaram negociar antes. Fiquei sabendo que isso os incomodava pela notificação”, diz.
Procurada pelo G1, a Oi confirmou o envio da notificação e disse que esse é o procedimento padrão da empresa de defesa da marca, mas não informou se deve processar o consultor.
Golpe ou coincidência?
Se depender do procedimento seguido pela Justiça no Brasil nos últimos anos, o caso pode não ter maiores conseqüências para o consultor, já que o site trata de música e não tem nenhuma relação com o mercado de telefonia.
"Na minha opinião, não há relação direta entre marca e domínio. Marcas comportam homônimos e podem ser usadas de maneiras diferentes, desde que não causem confusão ao consumidor, atuando na mesma área", diz Demi Getschko, diretor presidente do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto br, órgão que implementa as decisões do Comitê Gestor da Internet no Brasil.
De acordo com o advogado especialista em conflitos envolvendo domínios e marcas na internet, Wilson Pinheiro Jabur, a maioria dos casos deste tipo acaba em condenação apenas quando fica evidente que a pessoa que registrou o domínio famoso usou de má-fé.
Segundo ele, ficou comum durante os primeiros anos de internet comercial no Brasil a prática do golpe de "seqüestro" do endereço eletrônico, em que o usuário de internet registrava um domínio de nome conhecido antes da própria dona da marca.
As primeiras pessoas a se arriscar na "aventura" do golpe ganharam dinheiro. "Era tudo muito novo, era difícil para a Justiça identificar quem estava com a razão naquela época", diz o especialista. "Quem se aventurava não tinha nada a perder".
Casos
Com o passar do tempo, a freqüência dos casos aumentou, e os julgamentos passaram a se decidir por uma lógica parecida. Segundo Jabur, de 1995 a 2003, 90% das decisões judiciais foram favoráveis aos donos da marca patenteada.
Ele mesmo atuou em alguns casos, como o que envolveu a Blindex, em 2002.
Na época, um dos sócios da empresa Bac do Brasil registrou o domínio da Blindex.
Em vez de parar nos tribunais, o caso foi levado à Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI), que regulamenta o uso de domínios que não tenham a extensão de localidade (.br) e a empresa Pilkington, detentora da marca, ganhou a causa.
O mesmo aconteceu com o Bradesco, em 2003, que teve seu caso solucionado na OMPI. O banco ganhou o direito de exigir a transferência de endereço do site homônimo, sob pena de multa de R$ 1 milhão por dia.
Outro caso famoso envolveu a top model Gisele Bündchen, em 2001, que teve o domínio com seu nome registrado por outra pessoa. Depois de disputa na justiça brasileira, o tribunal reconheceu que era clara a tentativa do criador do site de tentar se valer do nome dela para se beneficiar.
Como evitar problemas
O primeiro passo para quem quer garantir a criação de um site sem homônimos é se informar se o nome pretendido para a página já não está registrado como marca de outra empresa. "O procedimento correto antes de registrar um domínio é acessar o site do Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e verificar a existência da marca", diz Cláudio Roberto Barbosa, da Associação Brasileira de Propriedade Intelectual (ABPI).
Fique de olho: veja os cuidados que você deve tomar na hora de criar um site
1ª passo
Procure o nome pretendido no site do INPI, para saber se ele já está registrado como marca.
2ª passo
Pesquise o nome no site registro.br, que monitora e distribui os domínios no Brasil.
3ª passo
Se o endereço não estiver registrado, informe seus dados, seu CPF, e pague a taxa de R$ 30 para se tornar o proprietário do domínio.
Passada a primeira etapa, é preciso procurar pelo endereço no site registro.br. do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Para obter o registro do domínio, é preciso informar o nome do proprietário, CPF e pagar a taxa de R$ 30 por ano, enquanto o site permanecer em funcionamento.
Pesquisas em biotecnologia, fisiologia, física e agronegócio terão prioridade de investimentos no Espírito SantoVolta
Mídia eletrônica: Gazeta Online
http://gazetaonline.globo.com
ABDO FILHO
afilho@redegazeta.com.br
01/10/2007
O Espírito Santo produzindo conhecimento para o Brasil. biotecnologia, fisiologia, física e agronegócio são as áreas de pesquisa que devem se sobressair e receber mais investimentos no Estado nos próximos anos. Essa é a expectativa do secretário de Ciência e Tecnologia do Estado, Rogério Queiroz, que participou nesta segunda-feira (01) da abertura da IV Semana Estadual de Ciência e Tecnologia. Em 2007 a área de produção de conhecimento do Estado deve receber investimentos da ordem de R$ 23 milhões, esse montante deve alcançar a casa dos R$ 30 milhões em 2008.
O secretário destacou que atualmente 300 projetos de pesquisa e desenvolvimento estão em andamento no Espírito Santo. "A produção acadêmica do Estado é muito boa e tende a aumentar. Hoje nós contamos com cerca de 800 doutores pesquisando aqui no Espírito Santo. E o que falta é ligar essa produção acadêmica com a produção industrial, ou seja, agregar riqueza". O secretário afirmou que a produção acadêmica do Espírito Santo cresceu 50% de dois anos para cá.
Para o secretário, três desafios precisam ser vencidos. O primeiro é o de usar a ciência disponível para melhorar o que é produzido no Estado. O segundo é trazer tecnologias mais sofisticadas ao Espírito Santo. O terceiro seria colocar o Estado no caminho da sociedade do conhecimento, que tem por base o capital humano ou intelectual.
Para o o Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Federal do Espírito Santo, Francisco Emmerich, o Espírito Santo precisa de mais investimentos em especialização. "Nós temos que focar para que a qualidade dos programas melhore, para que as instituições que tenham apenas mestrado introduzam a pós-graduação. Além de continuarmos com os trabalhos de articulação com as autoridades."
Semana Estadual de Ciência e Tecnologia
Na IV Semana Estadual de Ciência e Tecnologia o público terá oportunidade de conhecer mais de 180 trabalhos de destaque em ciência, tecnologia e inovação de diversas instituições de ensino e pesquisa do Espírito Santo. Os trabalhos apresentados vão desde as Ciências Agrárias até a robótica.
Durante a semana também será realizado o 11° Salão do Inventor Brasileiro, que tem como objetivo criar oportunidades para as pessoas, em especial os pequenos inventores, que procuram chances de divulgar o que descobriram e encontrar parceiros para desenvolver as invenções. O objetivo é incentivar os jovens a entrarem no ramo das pesquisas.
Os dois eventos serão realizados no ginásio da Emescam, em Vitória, a partir de quarta-feira (03), e terminam no sábado (06). A entrada é franca. Os estandes para visitação ficarão abertos das 18 às 20 horas, na quarta (03), das 9 às 17 horas, de quinta a sábado. E no dia 08, às 19 horas, no auditório do Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo (Cefetes), acontece a cerimônia de encerramento da Semana, na qual os melhores inventores serão premiados.
Interiorização
A meta desse ano é trabalhar a interiorização e fazer com que diversos municípios possam promover atividades de ciência, tecnologia e inovação. Como parte da programação já foram realizadas a Feira de Ciência e Tecnologia de Castelo; a II Feira de Ciências e II Mostra Científica de Venda Nova do Imigrante; a I Semana Regional de Ciência e Tecnologia de Santa Teresa; e a I Mostra Científica e Cultural de Vitória. Além disso, os municípios de Cachoeiro de Itapemirim, São Mateus e Alegre também terão atrações.
Obstáculo ao crescimentoVolta
O Estado de São Paulo
02/10/2007
Um dos obstáculos ao crescimento do País está na falta de capacitação dos trabalhadores. Sem mão-de-obra qualificada, as empresas têm dificuldades para aumentar a competitividade, desenvolvendo novos produtos e adquirindo novas tecnologias. E, mesmo quando decidem patrocinar cursos técnicos e profissionalizantes, muitos de seus empregados apresentam problemas de aprendizagem, por falta de uma boa formação no ensino básico. Essa é a conclusão de uma pesquisa que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) promoveu junto a 1.714 empresas.
O levantamento, realizado entre junho e julho, mostrou que o baixo nível de escolaridade dos trabalhadores vem prejudicando os planos de expansão e aumento de eficiência de 65% das empresas brasileiras. Os setores mais afetados por falta de mão-de-obra qualificada são os de álcool, equipamentos de transporte, indústrias extrativas, máquinas e equipamentos e veículos automotores - segundo matéria publicada segunda-feira no jornal Valor. “Até nos casos onde o grau de capacitação requerido não é elevado as empresas têm dificuldades, dada a baixa qualidade da educação básica”, diz o coordenador da pesquisa, Renato Fonseca.
O problema não é novo. Há muito tempo as entidades empresariais apontam a má qualidade do ensino básico como um dos obstáculos para a retomada do crescimento. O próprio ministro da Educação, Fernando Haddad, ao depor recentemente na Câmara, reconheceu que o ensino básico vive uma “crise aguda”. Na realidade, o que ele reconhece é o agravamento que o governo não consegue deter de uma crise que vem de longe, comprovado mais uma vez pelos últimos números do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), uma prova de português e matemática que é aplicada a cada dois anos. A avaliação mostra que os alunos do 3º ano do ensino médio têm um nível de conhecimento de estudantes da 8ª série do ensino fundamental. Foi o pior resultado desde a introdução desse teste, em 1995.
Ocorre que, em vez de se empenhar para melhorar a qualidade do ensino básico, em seu primeiro mandato o governo do presidente Lula deu prioridade à expansão do ensino superior. Além do Programa Universidade para Todos (ProUni), que concede bolsas a alunos de baixa renda em cursos de graduação, nos últimos anos o MEC criou quatro universidades federais, construiu 48 novos campi em cidades do interior, abriu 10 mil vagas em administração de empresas no projeto piloto da Universidade Aberta e adotou várias estratégias de ação afirmativa em universidades públicas.
E agora o presidente Lula está prometendo que “produzirá” mais 10 universidades até o fim do seu governo. Em seu depoimento na Câmara, Haddad teve a humildade de reconhecer os equívocos decorrentes da excessiva ênfase que o governo deu à expansão da educação universitária. Tacitamente, admitiu que, em vez de gastar recursos escassos no último nível de ensino, teria sido mais racional aplicá-los na educação básica, para suprir as conhecidas deficiências dos alunos em capacidade de leitura e redação e domínio de técnicas matemáticas elementares.
O fato de Haddad fazer essa constatação, numa espécie de mea-culpa, é um avanço. Na maioria das vezes, os ministros da Educação atribuem a seus antecessores a responsabilidade pela tragédia da educação. Para corrigir os rumos da política educacional, Haddad afirma que o governo pretende redefinir currículos, desenvolver novos projetos pedagógicos junto aos Estados e municípios, a quem cabe a responsabilidade pela gestão das redes escolares de ensino básico, e aumentar o número de escolas técnicas, cujos cursos são profissionalizantes. Atualmente, há 140 escolas técnicas federais, com 230 mil alunos.
Mesmo que essas medidas sejam postas em prática imediatamente, reconhece o ministro, elas demoram para surtir efeito. “Podemos estar falando de 10 ou 15 anos para começar a colher os frutos de uma mudança de qualidade nessa etapa da educação básica”, conclui. Após ter perdido tempo e dinheiro agitando bandeiras mais vistosas do que eficazes no âmbito do ensino superior, o governo parece ter-se convencido de que a prioridade número um, no plano do ensino, é a solução do problema salientado pela pesquisa da CNI.
Real forte leva empresas a investir Volta
Estado de São Paulo
30/09/2007
Empurrada pelo dólar na cotação mais baixa dos últimos sete anos, a indústria brasileira recorre cada vez mais à importação de máquinas , matérias-primas e componentes para compensar parte da perda de competitividade do produto brasileiro. Com o dólar na casa de R$ 1,8, empresas de diferentes setores, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Coteminas e Indústria Brasileira de Televisores (IBT), desembolsam menos reais para ter acesso a inovações tecnológicas que garantem saltos de produtividade e eficiência em suas fábricas.
De janeiro a agosto deste ano, a importação de máquinas e equipamentos já passou a representar 42,1% do consumo nacional, ante 39,9% em igual período de 2006. Enquanto a venda de máquinas nacionais aumentou12,7%, as importações deram um salto de 34,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Elas passaram de US$ 7,207 bilhões para US$ 9,681bilhões, informa a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).
'Temos projetos grandes e estamos importando parte das máquinas, mas esse é um benefício aparente', diz Benjamin Steinbruch, dono da CSN. Sua empresa planeja investir US$ 9 bilhões até 2011, incluindo a construção de três novas usinas no País.
Para Steinbruch, o benefício que o dólar barato pode trazer no curtíssimo prazo, no sentido de reduzir os custos de importação, é muito pequeno quando comparado com seus efeitos negativos no médio e longo prazos. 'É impossível R$ 1,83 valer 1 dólar', diz o empresário. 'Mantidas as condições atuais, esse desequilíbrio terá reflexos fatais no crescimento da economia, emprego e renda, coisas que um país de 200 milhões de habitantes e com a extensão do Brasil não pode abrir mão.' Para ele, o País não pode contar apenas com o mercado interno para se desenvolver. 'Esse dólar barato tem provocado uma concorrência que eu considero até desleal.'
INTERNACIONALIZAÇÃO
A Coteminas, um dos maiores grupos têxteis nacionais, vai investir este ano mais de R$ 100 milhões para eliminar gargalos e aumentar a produção de suas fábricas no País. 'Estamos comprando muitos equipamentos estrangeiros, e nacionais também', conta Josué Gomes da Silva, presidente do grupo. No ano que vem, quando os investimentos estiverem concluídos, a capacidade de produção da Coteminas será 15% maior do que em 2006.
Gomes da Silva, que também é presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), afirma que o crescimento dos investimentos no setor demonstra que o País pode manter o ritmo de queda da taxa básica de juros.
Segundo ele, o consumo tem crescido num ritmo menor que o do investimento, o que significa que o aquecimento da economia não é inflacionário, porque haverá capacidade de oferta de produtos maior do que a demanda. 'Gostaríamos que, na medida do possível, todos esses investimentos fossem feitos com equipamentos produzidos no País.'
O grupo mineiro prepara ainda uma nova etapa da internacionalização da sua produção. Os planos incluem uma fábrica na Ásia e outra no Caribe a partir de 2009 para produzir artigos de cama, mesa e banho. 'Estamos terminando os estudos, mas uma indústria têxtil integrada que tenha escala competitiva exige investimento de, no mínimo, US$ 100 milhões.'
A Indústria Brasileira de Televisores, dona da marca Cineral, investiu US$ 280 mil na compra de maquinário japonês que permitirá à empresa produzir TVs em LCD na sua fábrica em Manaus. De acordo com Abdo Antonio Hadad, presidente da empresa, os modelos de 32 e 42 polegadas estarão no mercado a partir de novembro.
Depois de ter reduzido em um terço a sua produção de TVs no ano passado, a IBT agora se prepara para voltar aos níveis normais no próximo mês. 'O mercado está se reequilibrando e, ainda que não esteja dando rentabilidade, acreditamos que não vamos perder dinheiro', diz Hadad.
Segundo ele, a redução de custos obtida com a importação de peças e componentes mais baratos em reais tem dado fôlego para os fabricantes instalados no País fazerem frente à invasão dos importador. 'Os ganhos vêm sendo totalmente repassados para os preços.'
O presidente da IBT lembra que vários produtos eletroeletrônicos deixaram de ser fabricados localmente e passaram a ser importados, principalmente da Ásia. Um exemplo são os aparelhos para reproduzir DVD, que também eram produzidos pela sua empresa.
O grupo Amazonas, maior fabricante de componentes de plásticos para a indústria calçadista do País, e uma dos quatro maiores do mundo, já importa quase 30% das matérias-primas que usa em seus produtos. 'Além da diferença de preços, os prazos para pagamento lá fora são mais longos que aqui, e isso contribui bastante para que nossos preços continuem competitivos', observa o diretor Saulo Pucci Bueno.
Brasil ajuda a criar 1ª biblioteca digital mundialVolta
Unesco lança neste mês protótipo do portal na internet; Biblioteca Nacional, do governo, faz parte do projeto
O Estado de São Paulo
Roberta Pennafort
02/10/2007
Na Antiguidade, a Biblioteca de Alexandria, no Egito, com suas centenas de milhares de papiros, era a guardiã do maior acervo cultural e científico do mundo. Inaugurada em 295 a.C., foi destruída pelo fogo em 272 d.C. por ordem do imperador romano Aureliano.
Na era digital, um projeto da Unesco, a World Digital Library (Biblioteca Digital Mundial), cujo protótipo entra no ar neste mês, tornará tesouros de vários países disponíveis gratuitamente na internet. O portal da WDL terá, na primeira fase, mapas, fotografias e manuscritos digitalizados, tudo com textos explicativos em árabe, chinês, espanhol, inglês, francês, português e russo. Numa segunda fase, será possível consultar livros. Os usuários poderão pesquisar temas como filosofia, história, religião e ciência.
Grandes bibliotecas estão sendo convocadas a colaborar - e a Biblioteca Nacional foi uma das primeiras a aceitar. Já enviou reproduções de mapas e registros fotográficos raros do País no século 19. Oitava maior do planeta e a número um da América Latina, a instituição é parceira-fundadora ao lado das Bibliotecas do Congresso dos EUA, da Rússia, da Coréia do Sul e da Bibliotheca Alexandrina, inaugurada em 2002.
Além de dar acesso a imagens, espera-se do Brasil o cumprimento de uma missão importante: atrair países de língua portuguesa e também de língua espanhola para a empreitada.
PRIMEIRO TESTE
Um protótipo da WDL vai funcionar a partir do dia 17, na 37ª Conferência-Geral da Unesco, em Paris. Será uma oportunidade para mais países aderirem - e para o Brasil fazer sua campanha com os vizinhos latinos e com as nações de língua portuguesa. “A Biblioteca Nacional é a única da América Latina que está participando. Vamos entrar em contato com os países da região, começando por Argentina, Venezuela e Colômbia”, afirma o presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré.
A Biblioteca Nacional é considerada um modelo para países emergentes por seu bom padrão de digitalização - o processo de transferir obras para o computador foi iniciado em 2003 e intensificado em 2006. “O nível brasileiro é muito bom”, elogia John Van Oudenaren, coordenador do projeto da Unesco. “Se a Biblioteca Nacional compartilhar o que tem aprendido com bibliotecas de outros países, será um grande passo para aumentar a participação. Não faz sentido fazermos acordos com instituições que não têm capacidade de digitalização.”
Os mais de mil itens que a Biblioteca Nacional vai compartilhar na WDL compõem conjuntos dos mais representativos das Américas. São fotografias do século 19 que fazem parte da coleção Teresa Cristina Maria - doada por d. Pedro II em 1891 e considerada pela Unesco patrimônio da humanidade -, em que se vêem paisagens do Rio, Paraná e Minas. Há também mapas e cartas náuticas dos séculos 16, 17 e 18.
“A idéia é fazer um grande portal da cultura no mundo. Cada país está mandando o que tem de mais precioso”, explica Liana Gomes Amadeo, diretora do Centro de Processos Técnicos da Biblioteca Nacional. Mais detalhes sobre o projeto, cujo investimento não foi divulgado, estão no site www.worlddigitallibrary.org.
O maior acervo digital do mundo, hoje, é o da Biblioteca do Congresso Americano (www.loc.gov), iniciado em 1995, com mais de 7,5 milhões de documentos.
IBM começa a buscar profissionais até nas escolas de ensino médio Volta
Empresas de tecnologia esgotam a procura por técnicos no mercado e nas universidades e agora vão às escolas
O Estado de São Paulo
Ana Paula Lacerda
02/10/2007
Após procurar profissionais no mercado de trabalho e nas universidades - e ainda assim não suprir sua demanda -, a IBM resolveu investir em uma nova frente: as escolas de ensino médio. A empresa começou este ano a fazer parcerias com escolas técnicas para incluir em seus currículos disciplinas que cubram as necessidades da empresa. Em contrapartida, a IBM ajuda a treinar os alunos e dá a eles oportunidades de contratação.
Em um primeiro projeto, fechado em Belo Horizonte com o governo de Minas Gerais, serão treinados 500 jovens, dos quais a IBM se comprometeu a contratar 320. Outras parcerias estão sendo fechadas em São Paulo, Campinas, Rio de Janeiro e Salvador. 'Resolvemos contratar mais cedo, e deixar que o jovem cresça dentro da IBM', diz a gerente de RH para parcerias educacionais, Sirlene Toledo. Para o ano que vem, a empresa iniciará as parcerias com escolas de ensino médio tradicional. 'Como esses alunos não têm formação técnica, a aproximação e o treinamento são diferentes. Mas ainda assim, há muitas carreiras dentro de TI que eles podem seguir.'
Essa preocupação da IBM se justifica ao se observar o cenário de TI no Brasil. Um levantamento da consultoria IDC mostrou que atualmente há um déficit de 17 mil profissionais no País, e a Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom) estima que este número salte para 100 mil até 2010 - para que o Brasil tenha pelo menos 1% do mercado mundial. 'Há 45 anos o Brasil é excelente em TI, tanto que nosso mercado interno é muito maior que o da China e da Índia', diz o presidente da Brasscom, Antonio Carlos Gil. 'Porém, o mercado de exportação mundial cresce 40% ao ano, e precisamos aproveitar esta oportunidade.'
As exportações de software e serviços de TI no Brasil devem ultrapassar US$ 1 bi em 2007, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Isso representa um aumento de 25% em relação ao ano passado. No entanto, o País se encontra muito atrás da Índia, o grande competidor nesse setor. O faturamento indiano para este ano deve chegar à casa dos US$ 31 bi e pode ultrapassar os US$ 100 bi até 2010.
'Caso consigamos suprir a demanda de profissionais e torná-los fluentes em inglês, o Brasil pode ir muito mais longe', diz Sirlene, da IBM. 'Para a exportação de serviços de tecnologia, o Brasil possui vários pontos fortes: um fuso horário e uma cultura mais próximas dos EUA e até um inglês com menos sotaque que o dos indianos.'
'As vagas existem, basta focar nas necessidades do mercado', diz o estudante Pedro Bonugli de Lima, da Escola Técnica Camargo Aranha, em São Paulo. A escola é uma das que começou a parceria com a IBM. 'É importante que as empresas tragam a noção de mercado para dentro das escolas. Isso incentiva os jovens, que estão preocupados com o primeiro emprego.'
Outras empresas também estão organizando parcerias com alunos cada vez mais jovens. Jeff Brennan, vice-presidente da multinacional Altair Engineering, veio ao Brasil no fim de setembro para anunciar parcerias com universidades, desde os primeiros períodos. A empresa fornece softwares para as universidades, que têm prioridade e descontos nos treinamentos da Altair.
'Na Índia, fornecemos material didático às faculdades. Cada país tem suas dificuldades', diz a gerente geral da Altair no Brasil, Eliane Feliz. 'Suprir toda a mão-de-obra exige esforço prolongado. O governo tem de investir nas escolas e faculdades e as empresas não podem ficar paradas.'
A Tata Consultancy Services (TCS), empresa de tecnologia do grupo indiano Tata, possui parcerias com cinco universidades brasileiras e também começou sua busca por profissionais no ensino médio técnico. Este ano, a empresa deve contratar pelo menos 70 jovens da Fundação Bradesco, em São Paulo. Porém, o diretor de relacionamento da TCS, Fernando Graton, diz que esses números ainda estão apenas 'apagando incêndios.'
'Os países querem uma alternativa à Índia', diz. 'Mas para isso o Brasil tem que superar depressa a falta de mão-de-obra e as pessoas têm de estudar inglês.' A Índia, onde há um grande número de pessoas fluentes em inglês, detém 84% do mercado americano de serviços terceirizados; o Brasil tem menos de 1%. Ainda assim, para a Tata, o Brasil é a operação que mais cresce fora da Índia. 'Se o governo investir nas escolas técnicas e as empresas treinarem, o País pode crescer em um negócio de bilhões de dólares. Se não, vai perder um bonde que está passando na porta.'
Incubadoras de SP seunem em busca de mais recursos Volta
Rede é formada por 247 empresas de TI, biotecnologia e meio ambiente
O Estado de São Paulo
Marianna Aragão
02/10/2007
Cerca de 250 jovens e promissoras empresas da área de tecnologia estarão conectadas a partir de hoje, com a criação da Rede de Apoio à Inovação Tecnológica nos Empreendimentos em Criação (Raitec). A Raitec vai integrar companhias de tecnologia da informação, saúde, biotecnologia,eletroeletrônica, metalmecânica e meio ambiente de dez incubadoras do Estado de São Paulo, na tentativa de obter mais financiamentos e espaço no mercado. 'Queremos aumentar a taxa de sucesso das empresas incubadas', diz o coordenador da Raitec, Oscar Enrique Nunes.
Para isso, elas receberão nos próximos dois anos a ajuda extra de R$ 981 mil da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O auxílio é adicional porque todas as 247 empresas já estão incubadas, ou seja, já usufruem de espaço físico e estrutura como telefone, água, luz e computador a custos menores que os de mercado. Além disso, recebem treinamento especializado em negócios e acesso a consultores, cursos e laboratórios. Os recursos do Finep serão destinados a participação em atividades como consultorias em propriedade intelectual, requisição de patentes e registro de marcas e certificações.
O número de incubadoras mais que dobrou nos últimos cinco anos no Brasil. Segundo a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), em 2006 existiam 359 entidades como essas funcionando no País, ante 150 em 2001. São mais de 4 mil empreendimentos incubados. Segundo o coordenador do Raitec, o suporte nos primeiros passos aumenta as chances de sobrevivência da empresa após sua chegada ao mercado. 'A taxa de sobrevivência de um negócio que passou de um a quatro anos incubado chega a 80%, ante 50% dos negócios que nasceram sem o apoio', diz Nunes.
A Adespec, que produz um tipo de adesivo e selantes à base de água para uso industrial e doméstico retrata bem o impacto do período na trajetória de uma empresa. A companhia surgiu de uma necessidade da engenheira química Wang Shu Chen, que, quando trabalhava em uma multinacional da área química, teve uma leucemia por causa da exposição a solventes. Depois de tratar a doença, Chen desenvolveu a 'cola ecológica' e incubou o projeto na Cietec, da Universidade de São Paulo (USP). 'Lá, o empresário não precisa pensar em mais nada, a não ser em seu projeto', diz o diretor Flávio Lacerda.
Além da estrutura física oferecida pelo Cietec, a proximidade com a universidade facilitou o crescimento do negócio. 'Muitas empresas de ponta vêm até aqui verificar o que está sendo feito', conta Lacerda. Numa dessa visitas, a construtora Gafisa conheceu o projeto da Adespec e firmou um contrato para o uso da cola em suas obras. Em seguida, vieram parcerias com a Cebrace, do grupo francês Saint-Gobain, e a Eternit. 'A experiência foi tão positiva que decidimos prorrogar a incubação no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).'
Em março deste ano, a Adespec recebeu um aporte de capital do fundo de investimentos Rio Bravo, do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco. Os diretores da Adespec não revelam o valor do investimento, mas afirmam que é o suficiente para levar a empresa a um faturamento de R$ 50 milhões num prazo de cinco anos. Este ano, a expectativa é de uma receita de R$ 3 milhões.
Mas engana-se quem pensa que a empresa deixou as salas da Cietec. Mesmo com a inauguração da fábrica em Taboão da Serra (SP), no ano passado, a Adespec está desenvolvendo um novo produto na incubadora da USP.
Manter 'células' de empresas nas incubadoras não é uma situação incomum. O laboratório farmacêutico Eurofarma, por exemplo, tem projetos da sua área de pesquisa e desenvolvimento sendo desenvolvidos no Cietec. 'Diferentemente do que a maioria pensa, nem todos os projetos vêm da academia. Eles representam apenas 35% do total', explica Nunes, da Raitec.
Embraco cria micro compressorVolta
Valor Econômico
Vanessa Jurgenfeld
02/10/2007
A Embraco, fabricante de compressores, principalmente para a chamada linha branca, está abrindo as portas de um novo mercado: refrigeração por meio de microcompressores. A empresa, que fechou uma parceria com a Intel e mostrou há poucos dias pela primeira vez o seu produto no Intel Development Forum, em São Francisco (Estados Unidos), desenvolveu uma tecnologia para ser usada na refrigeração de microprocessadores, utilizados nos computadores. O microcompressor melhora o desempenho dos processadores e tem previsão de chegar ao mercado entre o fim de 2008 e início de 2009.
A pesquisa começou em 2004, depois que a Embraco foi procurada pela Intel para desenvolver a nova tecnologia. "Foi um encontro interessante porque a eletrônica gera calor e somos especialistas em gerar frio, e há necessidade de refrigerar os microprocessadores de laptops e desktops para que melhorem sua performance", diz Edu Machado, gestor de marketing da Embraco.
Esta foi a primeira parceria entre Embraco e Intel. Segundo Machado, o microcompressor deverá entrar em produção efetivamente entre 2008 e 2009, mas neste momento ainda não se tem dados de quanto será o volume de produção. Ainda está em análise se a forma encontrada é de fato a melhor ou se é possível avançar ainda mais. Além de dúvidas sobre o potencial de comercialização da tecnologia.
Já se sabe, no entanto, que as lan houses serão um mercado potencialmente forte, assim como demais usuários de jogos e de programas de animação, que acabam exigindo o máximo de velocidade dos microprocessadores, o que acaba gerando mais calor. São vistas como um mercado atraente também as instalações com restrições de espaço, como as dos computadores "slim" (pequenos e com design aprimorado - LifeStyle PCs), utilizados não só para processar textos e planilhas, mas também para centralizar vídeo, áudio, internet e comunicação nas residências. Machado cita como grandes mercados principalmente os Estados Unidos e a Ásia.
Na apresentação justamente nos Estados Unidos, os primeiros microcompressores foram colocados em docking stations (suporte para computador portátil), após 18 meses de desenvolvimento. Segundo o executivo da Embraco, o microcompressor atua como um sopro de ar gelado dentro do computador, e nas pesquisas realizadas pelas duas empresas, já se sabe que ele pode melhorar em 10% a performance do processador, um número considerado bom pelo executivo, por ser a Intel referência na fabricação desses produtos.
De acordo com Fabrício Possamai, líder do projeto, a pesquisa contou ainda com participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que ajudou nos testes e na definição do design. O produto é um pouco mais curto do que uma caneta, tem 100 milímetros de comprimento e 17 milímetros de diâmetro, um volume 10 vezes menor do que o de um compressor comum.
A princípio, o contrato entre Embraco e Intel estabelece que ele só será comercializado em computadores que contarem com o processador. Isso terá validade por um determinado período. Machado explica, no entanto, que outras pesquisas com microcompressores estão sendo feitas e suas aplicações poderão ser expandidas para outras funções que não só no campo da informática. A Embraco acredita no potencial desta nova tecnologia aplicada em outros segmentos, como até mesmo na medicina, em tratamentos que exibem o resfriamento de determinadas partes do corpo humano.
O valor investido na pesquisa não foi revelado, mas ela faz parte dos 3% do faturamento anual da empresa que são voltados à Pesquisa & Desenvolvimento (P&D). Desde maio de 2006 a Embraco atua, no Brasil, sob a razão social Whirlpool S.A., em função da junção com a Multibrás S.A. Eletrodomésticos.
Especialistas questionam qualidade do etanol Volta
Valor Econômico
The Economist, de Emeryville, Redwood City e San Carlos
02/10/2007
Certas vezes, simplesmente faz-se algo porque se sabe fazê-lo. As pessoas sabem como fazer etanol desde a aurora da civilização, se não antes. Pegue algum líquido açucarado. Agregue levedura e aguarde. Também sabem, há mil anos, como extrair o etanol desse líquido açucarado, de forma mais ou menos pura. Basta esquentá-lo, capturar o vapor emanado e esfriá-lo até liquefazê-lo.
O resultado é combustível. Quando Henry Ford fazia experiências em motores de carros há um século, ele tentou usar o etanol como combustível e acabou o rejeitando, por bons motivos. A quantidade de calor que se obtém queimando um litro de etanol é cerca de 30% menor do que com um litro de gasolina. Além disso, absorve água da atmosfera. A não ser que seja misturado com outro combustível, como a gasolina, o resultado é que a corrosão pode arruinar as juntas do motor em um par de anos. Então, por que, de uma hora para outra, o etanol voltou a estar na moda? Essa é a pergunta que muitos biotecnólogos nos Estados Unidos vêm se fazendo recentemente.
A resposta óbvia é que, por ser derivado das plantas, o etanol é "verde". O dióxido de carbono produzido com a queima do etanol, veio da própria atmosfera. Devolver esse CO2 ao ar, portanto, não tem impacto negativo no clima. Embora isso seja real, o verdadeiro motivo pelo qual o etanol tornou-se a alternativa "verde" preferida à gasolina é que as pessoas sabem como fazê-lo - isso e os subsídios agora disponíveis nos Estados Unidos para que os agricultores de milho produzam a matéria-prima. Esses fatores, contudo, não impedem que o etanol seja um combustível de má qualidade. Para solucionar isso, argumentam os biotecnólogos, é preciso fazer um combustível que seja melhor, mas igualmente "verde". É nisso que trabalham atualmente.
O primeiro passo foi o butanol. Também é um tipo de álcool que pode ser feito a partir da fermentação do açúcar (embora a fermentação seja feita por bactérias e não pela levedura), mas tem algumas vantagens sobre o etanol. Tem mais átomos de carbono em suas moléculas (quatro, em vez de dois), o que significa mais energia por litro. Ainda assim, é apenas 85% tão potente como a gasolina. Outro ponto positivo é que absorve menos água da atmosfera.
Um empreendimento conjunto entre a DuPont, gigante química dos EUA, e a petrolífera britânica BP desenvolveu uma forma de industrializar o processo de produção do biobutanol, como o produto é conhecido quando é resultante da fermentação. Embora a BP planeje começar a venda apenas nas próximas semanas (misturado com gasolina, no início), a verdade é que o butanol não é muito melhor do que o etanol.
Outro caminho pode ser o das moléculas de álcool ainda maiores e, portanto, mais ricas em energia. Qualquer álcool simples é composto por certo número de átomos de hidrogênio e carbono (da mesma forma que um hidrocarboneto como a gasolina) agrupados com um átomo único de oxigênio. Na prática, esse jogo de elevar o conteúdo de carbono, para ter um combustível melhor, pára no octanol (oito átomos de carbono), já que qualquer composto acima disso tende a congelar em temperaturas muito baixas. Mas, os seres vivos têm proximidade com os alcoóis. Suas enzimas podem ser estruturadas como tal. Isso facilita a tarefa dos biotecnólogos.
A idéia de projetar enzimas para produzir o octanol foi levantada pela primeira vez pela Codexis, uma pequena empresa californiana de biotecnologia. A tecnologia da Codexis funciona com precisão farmacêutica - de fato, um de seus principais produtos comerciais é o sistema de enzimas que produz o precursor químico do Lipitor, o tratamento contra colesterol da Pfizer. A Codexis controla a maioria das principais patentes do que se conhece como evolução molecular. Projetam-se enzimas da mesma forma que a evolução normal projeta organismos. Isso cria muitas variações de um mesmo tema. Descartam-se as que não servem e mistura-se o resto em um processo similar ao sexo. Repete-se o processo com os sobreviventes até que surja algo útil - embora, ao contrário da evolução natural, também exista algo de design inteligente no processo. O resultado, segundo o chefe da Codexis, Alan Shaw, são enzimas que podem desempenhar transformações químicas desconhecidas na natureza.
Shaw, entretanto, não está mais tão interessado no octanol como combustível. Assim como duas outras rivais próximas, ele agora centra a atenção da Codexis em moléculas ainda mais similares à gasolina. A diferença é que, ao contrário da gasolina, na qual cada lote da refinaria é quimicamente diferente do outro (porque o petróleo bruto do qual é derivado é uma mistura arbitrária de moléculas de hidrocarbonetos), a biogasolina poderia ser produzida exatamente igual, de novo e de novo, e, portanto, elaborada para apresentar uma mistura perfeita das propriedades requeridas para um motor.
Shaw ainda não está disposto a dizer exatamente em quais moléculas a Codexis tem interesse. A Amyris Biotechnologies, também da Califórnia e que também começou com medicamentos (no seu caso, em um remédio contra a malária chamado artemisinina) é um pouco mais aberta. Sob direção do fundador Jay Keasling, vem trabalhando em um tipo de isoprenóide (classe de substância química que inclui a borracha).
Diferentemente da Codexis, que lida com enzimas purificadas, a Amyris emprega uma técnica chamada biologia sintética, que transforma organismos vivos em reatores químicos ao criar novos caminhos bioquímicos entre eles. Keasling e seus colegas esquadrinham o mundo atrás de enzimas apropriadas, as ajustam para que funcionem melhor e então costuram os genes das enzimas manipuladas em uma bactéria, que se transforma no produto desejado. É assim que produziram a atermisinina, também um isoprenóide.
Os isoprenóides têm a vantagem de, assim como os alcoóis, serem parte da bioquímica natural de vários organismos. As enzimas para manipulá-los, portanto, são fáceis de encontrar. Ainda têm a favor o fato de que alguns são hidrocarbonetos puros, como a gasolina. Com um pouco de procura minuciosa, a Amyris acredita que pode conseguir algum isoprenóide com as características certas para substituir a gasolina.
A terceira firma californiana do setor, LS9, vai direto ao ponto. Se é gasolina que se quer, então é gasolina que será entregue. E diesel também, embora, neste caso, o produto em questão, na verdade, seja biodiesel, que é, em algumas formas, superior ao material resultante do petróleo.
A empresa também usa a tecnologia sintética, mas concentra-se em encontrar caminhos para fazer ácidos graxos. Assim como os alcoóis, os ácidos graxos são moléculas com montes de átomos de carbono e hidrogênio e uma pequena quantidade de oxigênio (no caso dois átomos, em vez de um). Os óleos vegetais consistem em ácidos graxos combinados com glicerol - e esses ácidos graxos (por exemplo, os do óleo de palma) são a principal matéria-prima para o biodiesel vendido atualmente.
A LS9 usou a tecnologia para transformar micróbios em fábricas de ácidos graxos contendo entre 8 e 20 átomos de carbono - os números ideais para o biodiesel. Também planeja fazer o que chama de "biopetróleo bruto". Nesse caso, os ácidos graxos teriam entre 18 e 30 átomos de carbono e o estágio final do caminho sintético cortaria os átomos de oxigênio para criar hidrocarbonetos puros. Este biopetróleo poderia alimentar diretamente as refinarias de petróleo atuais, sem a necessidade de modificá-las.
Essas empresas, contudo, têm outro concorrente. Seu nome é Craig Venter, um veterano da biotecnologia da época da patente dos genes do projeto do genoma humano e que, há um bom tempo, também está interessado na bioenergia. De início, o que chamou sua atenção foi o hidrogênio. Depois, o metano. Ambos são produtos naturais das bactérias. Agora seus olhos voltam-se para os combustíveis líquidos. Sua empresa, modestamente chamada Synthetic Genomics, ao contrário das outras, tem sede no leste dos EUA. A empresa reluta em discutir detalhes. Venter chega até a postular a idéia de testar os biocombustíveis - aparentemente, contrapondo uns aos outros e, possivelmente, usando produtos resultantes do petróleo como padrão de comparação, sem que os motoristas saibam qual é qual.
Se os biocombustíveis alguma vez serão competitivos em relação aos combustíveis fósseis ainda é algo a se saber. Isso dependerá de uma combinação de questões econômicas e políticas. Mas, a pressa política em apoiar o etanol, apenas por tratar-se de um combustível verde e porque as pessoas o conhecem é um erro. Vamos ver as flores desabrocharem para saber quem vence o grande prêmio de Venter. (Tradução de Sabino Ahumada)
Inovação vaisubstituir importados Volta
Jornal do Commercio
01/10/2007
Bio-Manguinhos unidade da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, que é o maior centro produtor de vacinas e kits para diagnóstico de doenças infectoparasitárias da América Latina ganhará a primeira planta de protótipos do País para o desenvolvimento de produtos biotecnológicos e a fabricação de medicamentos estratégicos para a política de saúde pública, usados no tratamento de doenças como câncer, AIDS, hepatite B e C e anemias associadas à insuficiência renal crônica. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) aprovou financiamento no valor de R$ 30 milhões, com recursos não reembolsáveis do Fundo Tecnológico (Funtec), para a construção da planta em Bio-Manguinhos, unidade que desenvolve imunobiológicos para atender às demandas da saúde pública.
"A nova planta vai viabilizar a produção em escala laboratorial e industrial, permitindo a transição do desenvolvimento tecnológico para a produção do medicamento", explica o médico veterinário Akira Homma, diretor de Bio-Manguinhos. Assim, vai ser preenchido o vazio existente hoje entre as atividades de pesquisa básica e o desenvolvimento de produtos. A planta de protótipos permitirá ao Brasil produzir medicamentos que hoje são importados. "A prioridade continuará sendo suprir o mercado nacional, o Sistema Único de Saúde (SUS), mas o excedente de produção poderá ser exportado", prevê o diretor do Instituto.
Bio-Manguinhos tem um dos maiores e mais modernos parques industriais de vacinas da América Latina. O Instituto é o maior fornecedor de imunobiológicos do Ministério da Saúde, suprindo 47% da demanda de vacinas do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Para atender aos programas nacionais de saúde pública, a unidade conta com cerca de 900 colaboradores. O Complexo Tecnológico de Vacinas de Bio-Maguinhos, onde está localizado o Centro de Processamento Final, tem capacidade para produção de 300 milhões de doses de vacinas, entre elas tríplice viral, contra sarampo, poliomielite, meningite meningocócica, difteria, tétano, coqueluche, rotavírus a mais recente. "O Brasil é o maior produtor mundial de vacina contra febre amarela. Exportamos esse medicamento para 61 países, com receitas geradas de US$ 100 milhões", destaca Homma.
Bio-Manguinhos tem hoje em carteira 20 projetos de desenvolvimento tecnológico, candidatos, numa etapa posterior, a seguir para a planta de protótipos. "A conclusão da obra está prevista para o final de 2008. Mas a certificação pelos órgãos reguladores será feita em meados de 2009, quando a planta efetivamente entrará em operação", informa Homma. Atualmente, Bio-Manguinhos importa de Cuba componentes ativos para a produção de alguns medicamentos. Já com o novo empreendimento será possível conduzir internamente todo o processo de desenvolvimento e adaptação tecnológica, assim, a produção poderá incluir desde o princípio ativo até o medicamento pronto para o consumo.
Apesar de o Brasil importar medicamentos biotecnológicos, a dependência internacional vem sendo reduzida a partir de iniciativa da Fiocruz, que tem contratos de transferência de tecnologia firmados com vários países. Somente com Cuba, a Fundação, vinculada ao Ministério da Saúde, tem contratos que incluem medicamentos para o tratamento de hepatite, alguns tipos de câncer e anemia profunda.
A idade da razão Volta
Frutos do Biota-FAPESP são repartidos entre universidades e ganham perenidade
Revista Pesquisa
Fabrício Marques
Edição Impressa Setembro 2007
Edição 139
São abundantes os frutos do programa Biota-FAPESP. Desde sua criação em 1999, o Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo permitiu a descrição de mais de 500 espécies de plantas e animais espalhados pelos 250 mil quilômetros quadrados do território paulista, produziu 75 projetos de pesquisa, 150 mestrados e 90 doutorados, além de gerar 500 artigos em 170 periódicos, 16 livros e dois atlas, graças a um investimento médio anual de US$ 2,5 milhões feito pela FAPESP. Os frutos do Biota amadureceram a ponto de alçar o programa a uma nova fase. Um acordo de cooperação acadêmica celebrado em agosto vai garantir a perenidade da iniciativa ao vincular sua estrutura às três universidades estaduais paulistas. A partir de agora, elas se tornarão responsáveis pela manutenção das ferramentas de pesquisa do Biota, considerado um dos maiores programas de estudo da biodiversidade já feitos no mundo. “Chegou a hora da rotina de manutenção – como geração de back-ups e atualização de softwares – de tudo o que foi feito e essa tarefa não cabe à FAPESP, pois não se trata de um trabalho de pesquisa”, diz Carlos Alfredo Joly, mentor e ex-coordenador do Biota, professor titular do Departamento de Botânica/IB e coordenador do programa de doutorado em Ambiente e Sociedade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Nos últimos oito anos, a administração do Biota-FAPESP dependeu de uma comissão de pesquisadores que atuava de forma avulsa, sem dispor de uma estrutura permanente para eventos, publicações ou atualização do banco de dados. Cada uma dessas atividades exigia a solicitação de recursos específicos. Com a institucionalização do programa, tais atividades serão fortalecidas. A Unicamp e o Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Cenapad), por exemplo, serão responsáveis pela página do programa na internet, pelo Sistema de Informação Ambiental do Biota (SinBiota) e pela revista eletrônica Biota Neotropica, desde a estrutura física até o pagamento de pessoal que fará manutenção e atualização dos bancos de dados e softwares. A plataforma do SinBiota relaciona as informações geradas pelos pesquisadores a uma base cartográfica digital, que permite a difusão da informação sobre a biodiversidade paulista. A ferramenta virtual contabiliza registros de aproximadamente 56 mil espécies encontradas em São Paulo (44 mil de vida terrestre, 8 mil de água marinha e 4 mil de água doce). A revista Biota Neotropica, periódico eletrônico editado pelo Biota-FAPESP, publica resultados de pesquisas que abordam a caracterização, conservação e uso sustentável da biodiversidade na região neotropical e já atingiu a marca de mil usuários por dia.
Fármacos - Já a Universidade Estadual Paulista (Unesp) se responsabilizará pelo banco de dados e de extratos da Rede Biota de Bioprospecção e Bioensaios (BIOprospecTA). Um prédio será construído no Instituto de Química, em Araraquara (SP), para abrigar esse acervo, parte do qual, por ter possível interesse econômico, será franqueada apenas a pesquisadores cadastrados. O BIOprospecTA nasceu como um subprograma do Biota voltado para o desenvolvimento de fármacos, cosméticos e defensivos agrícolas a partir de extratos vegetais ou moléculas de plantas e animais encontrados em São Paulo. A Universidade de São Paulo (USP), por meio de unidades como o Instituto de Física, em São Carlos, a Faculdade de Medicina, o Instituto de Ciências Biomédicas e o Instituto de Química, em São Paulo, ficará incumbida dos testes clínicos com moléculas sintetizadas em laboratório a partir da base do BIOprospecTA . Os custos da secretaria do programa e da revista Biota Neotropica serão divididos entre Unicamp e USP. “A avaliação é que a institucionalização exigirá US$ 4 milhões, nos próximos oito anos, para salários de secretaria e analistas de sistemas, reforma de infra-estrutura para armazenar bancos de dados e outras despesas”, diz Joly.
Para Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, a institucionalização permitirá que o programa ande com suas próprias forças. “É um pouco como se o Biota fosse um spin-off da FAPESP. A expectativa é que isso aumente a abrangência do programa e seu impacto nas políticas públicas se torne ainda maior”, afirmou. Brito Cruz lembrou ainda a participação fundamental de Joly para o sucesso do Biota. “É notável a capacidade da comunidade científica de se articular no tema da biodiversidade, mas um empreendimento dessa magnitude, embora seja de construção coletiva, só decola quando há a atuação heróica de alguns indivíduos com espírito de liderança. Por isso, é importante destacar a atuação do professor Joly em toda a trajetória do programa”, afirmou. Joly lembra, contudo, que a ajuda da FAPESP continuará sendo fundamental quando for preciso desenvolver novas ferramentas para o Biota. “Claro que continuaremos em busca de novidades e apresentaremos novos projetos de pesquisa à FAPESP para desenvolver as ferramentas do futuro do Biota”, diz.
A solenidade que definiu a institucionalização do programa Biota-FAPESP teve a presença de Michel Loreau, da Universidade McGill, em Montreal, Canadá, e vice-presidente do comitê executivo do Mecanismo Internacional de Expertise Científica em Biodiversidade (Imoseb), criado recentemente para organizar e sintetizar o conhecimento científico sobre a biodiversidade e abastecer de informações os governos e formuladores de políticas públicas nessa área, especialmente a Convenção sobre a Diversidade Biológica. Loreau tinha uma boa notícia: um dia antes reuniu-se na FAPESP com representantes dos ministérios do Meio Ambiente e da Ciência e Tecnologia, que aceitaram fazer uma consulta à comunidade científica do país acerca dos termos em que o Brasil poderia participar do Imoseb.
A decisão representou uma guinada na posição do país sobre o tema. Há dois anos, a diplomacia brasileira rejeitara um chamamento para integrar os cientistas brasileiros ao Imoseb, temerosa de que a vulnerabilidade do país no cuidado com sua biodiversidade pudesse fragilizá-lo em outras negociações multilaterais. O governo brasileiro, no entanto, só integrará o processo do Imoseb se a participação se der no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), principal fórum mundial na definição de leis e políticas para questões relacionadas à biodiversidade. “Há muito interesse em ajudar a promover políticas públicas internacionalmente, mas há um receio de que se crie mais um mecanismo, sendo que a CDB já existe e não consegue implementar suas decisões”, afirmou Bráulio Dias, gerente de Conservação da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente. Os pesquisadores do Programa Biota/FAPESP festejaram essa mudança de posição do governo e estão empenhados em participar da estruturação do processo de consulta à comunidade científica brasileira. “É imprescindível que a Academia Brasileira de Ciências e a SBPC participem da organização desta consulta”, afirma Joly.
UCP promove Semana de Engenharia e InformáticaVolta
Mídia eletrônica: Universia Brasil
http://www.universia.com.br
01/10/2007
A UCP (Universidade Católica de Petrópolis) vai promover nessa semana um evento inteiramente dedicado aos setores de Engenharia e Informática. A programação será aberta hoje, às 18h, no campus da Rua Barão do Amazonas, com solenidade que terá a presença do secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso.
Ele subirá a serra para falar sobre o ensino superior no Brasil. A Semana de Engenharia e Informática da UCP também vai marcar a realização do Seminário de Energia para o Desenvolvimento - que terá a participação de entidades ligadas ao Sindicato Interestadual das Indústrias de Energia Elétrica (Sinergia) - e do 1º Encontro de Ciência e Tecnologia Padre Aguiar - ligado à programação nacional da Semana de Ciência e Tecnologia, organizada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.
Segundo o reitor da Universidade Católica de Petrópolis, padre José Maria Pereira, a realização da Semana de Engenharia e Informática da UCP vai levar a instituição para o centro das discussões nacionais dos dois setores. "Traremos para a cidade profissionais altamente qualificados para discutir temas atuais não só para a comunidade acadêmica e científica mas também para o público em geral. Tenho certeza de que todos que forem prestigiar o evento sairão satisfeitos", afirmou. Entre as presenças confirmadas na programação estão pesquisadores do centro de pesquisa da Petrobras (Cenpes), representantes do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE) e do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).
Integrante do Comitê Organizador do Seminário de Energia para o Desenvolvimento, o engenheiro mecânico Carlos Saboia Monte, afirmou que o evento interessa a todos. "Vamos abordar temas referentes tanto ao fator econômico quanto ao fator inclusão social. Temos que lembrar que, sem energia, o cidadão sente-se excluído da sociedade. Ele não pode ter uma geladeira ou uma televisão, por exemplo", explicou.
Ao todo, o seminário terá quatro palestras, que vão provocar discussões sobre o tema. Entre os debates estão os que vão tratar de eficiência energética, que trará à tona temas como a conservação de energia. "Vamos mostrar que em casa, na escola ou nas indústrias mudanças simples podem contribuir para um melhor aproveitamento da energia".
A Semana de Engenharia e Informática da UCP, que começa nesta segunda-feira e termina na sexta-feira, dia 5, é uma realização da universidade, com o patrocínio do Conselhor Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA). Também tem o apoio de empresas como Ampla, Aalborg, Carbografite, GE Celma, Dubby, I3E e Compuland. Ainda são apoiadores a Fundação Dom Cintra e do Senai. A programação é aberta ao público e a entrada é franca, mas para participar de alguns eventos é precuso fazer a inscrição. É possível ter acesso à programação completa do evento no site www.ucp.br.
Fonte: UCP
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Thomson anuncia a compra da Prous Science Volta
Gazeta Mercantil
28/09/2007
SÃO PAULO, 28 de setembro de 2007 - AThomson Corporation, fornecedora de soluções de informação para clientesempresariais e profissionais de todo o mundo, anunciou a aquisição da ProusScience, empresa global líder no fornecimento de soluções de informação deciências da vida. A Prous Science será parte da Thomson Scientific. Os aspectosfinanceiros da transação não foram divulgados.
O portalProus Science Integrity dá acesso a mais de 265.000 compostos com atividadebiológica demonstrada, e perto de 100.000 registros com família de patentes. AProus Science trabalha estreitamente com seus clientes e possui parceiras paradesenvolver essa oferta diferenciada de informações.
"Estaaquisição realmente complementa as nossas ofertas de soluções de fluxo detrabalho no campo farmacêutico e biotecnológico. Esperamos trabalharestreitamente com os administradores da Prous Science para maximizar sinergiase agregar valor para nossos clientes", afirma Vin Caraher, Presidente eCEO da Thomson Scientific.
Asinformações foram divulgadas em comunicado pela empresa. (Redação InvestNews)
Nos EUA,Gilberto Gil prega cultura do remix e Creative Commons Volta
Mídiaeletrônica: PC World
http://pcworld.uol.com.br
Por IDG News Service/EUA
28/09/2007
Empalestra no Technology Review EmTech, Gil volta a ligar a idéia de inclusãodigital com a criação de conteúdo online
Em palestra proferida durante a conferência Technology Review EmTech nestaquinta-feira (27/09), o música e Ministro da Cultura Gilberto Gil voltou a defenderque a real inclusão digital passa pela criação de conteúdo multimídia nainternet e classificou o movimento de software livre e a cultura do remix demotores do progresso.
A idéia marxista de entregar os meios de produção às massas agora significa dar-lhesacesso tanto à internet em banda larga como a ferramentas de criação e permitirque o público participe em economias e indústrias que estão sendo corroídaspela tecnologia.
Aabordagem do Creative Commons frente à propriedade intelectual promove inovaçõesao promover algo que Gil chamou de cultura do remix, impulsionando o futuro daarte e da intelectualidade, segundo ele.
"Criatividadee desenvolvimento da ciência e das artes sempre foram relacionadas à liberdadede acesso", afirmou Gil em um informal encontro com jornalistas depois deseus discurso.
Gilclassificou o que chamou de decisões conservadoras de alguns governos ecorporações sobre questões que envolvem propriedade intelectual como obstáculosmomentâneos, afirmando que "o progresso está sempre ameaçando o statusquo".
Enquantoo governo brasileiro não se limita a tratar de questões sobre propriedadeintelectual sem aplicar preceitos do Creative Commons, também está tentandoinfluenciar os pensamentos de novas leis sobre direitos que englobem a eradigital, em particular que tratem de menores restrições em economias emdesenvolvimento, afirma Gil.
Umamaneira prática de dar às pessoas acesso aos meios de produção são os"hotspots culturais", estações de trabalho multimídia que o Ministérioda Cultura está montando pelo Brasil com acesso gratuito em banda larga.
Esteaspecto da conectividade, do chamado "indivíduo coletivo" como Gilclassifica, é importante a ajuda brasileiros a se reconectarem ao que chamou de"diversidade cultural perdida", chegando a atingir até tribosamazônicas que podem gravar rituais e músicas com o programa.
Duranteo evento, Gil classificou o projeto One Laptop per Child como revolucionário efalou com orgulho sobre as escolas brasileiras que vêm testando três tipos denotebooks educacionais. A licitação para escolher a plataforma que será usadanos colégios em 2008 está marcada para outubro.
Oministro também apontou dificuldades de interesses e infra-estrutura paraavançar com o projeto de banda larga sem fio, feita com a implementação deredes WiMax. Muitos municípios decidiram avançar com suas redes Wi-Fi, mas ogrupo de prefeitos está pressionando o governo para a implementação datecnologia, segundo assessores de Gil.
Carbono à brasileira Volta
Folha deSão Paulo
01/10/2007
País équarto colocado no faturamento de créditos previstos no Protocolo de Kyoto;matriz energética limita projetos nacionais
O LEILÃOpioneiro de créditos de carbono realizado na quarta-feira, na Bolsa deMercadorias e Futuros, marca uma nova etapa desse mercado no Brasil, onde suasperspectivas de ampliação, no entanto, são limitadas. Os R$ 34 milhões pagospelo banco belgo-holandês Fortis à Prefeitura de São Paulo não inauguraram acoleta de receita com as emissões evitadas no aterro sanitário Bandeirantes,mas pela primeira vez isso ocorre em um pregão.
Os créditos se baseiam no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), previstopelo Protocolo de Kyoto. O instrumento busca incentivar reduções na emissão degases do efeito estufa em países menos desenvolvidos, cuja contribuição para oaquecimento global cresce de modo acelerado. A premissa é que custa menosdiminuir emissões nesses países.
Os projetos certificados têm permissão para emitir um bônus financeiro. Oscompradores desses papéis podem ser países desenvolvidos com dificuldade dereduzir suas emissões domésticas ou empresas em busca de um selo"verde" -por exemplo para neutralizar os gases do efeito estufa que asua atividade produz. Até especuladores à espera da valorização desses títulossão seus compradores potenciais.
A idéia do MDL, portanto, é simples. Todos que estabeleceram uma meta deredução dos gases que contribuem para o aquecimento global, em vez de cumpri-laautonomamente, podem pagar para quem o faz. O comprador do crédito do aterroBandeirantes, por exemplo, terá o direito de abater de suas metas o equivalentea 808 mil toneladas de CO2, quantidade que o projeto evita que seja lançada naatmosfera.
Por ora o mercado de MDL é dominado por quatro países, Índia à frente. A Chinadeve ultrapassá-la logo, pois 53% dos créditos de projetos em preparação vêm delá.
O Brasil tem participação no MDL proporcional a seu porte econômico, mas saiprejudicado por ter matriz energética mais limpa, que dá menos oportunidades dereduzir emissões. Três quartos do carbono que lançamos na atmosfera provêm dedesmatamento, cuja redução não gera créditos no MDL.
O governo federal pretende ser remunerado por esse serviço ambientalplanetário, mas resiste a fazê-lo por mecanismos de mercado e a adotar metasobrigatórias de redução das emissões. Está mais do que na hora de rever talposição.
Democracia participativa? Volta
Folha de São Paulo
ALBA ZALUAR
01/10/2007
PARTICIPAÇÃO É UMA dessas palavras mágicas invocadas em rituais políticos dosque querem aparecer como corretos. É cheia de matizes e ciladas semânticas quepodem vir a ser precipícios políticos. Tudo depende da engenharia institucionalconstruída por ela.
No Brasil, a Constituição obriga "a participação democrática na formulaçãode políticas públicas", traduzida em exigências administrativas deaudiências públicas para licenciar empreendimentos, mas principalmente aformação de conselhos nos governos estaduais e municipais para discutir e decidirsobre políticas e a gestão delas.
Conselhos tutelares, conselhos de saúde e de educação já fazem parte do cenárioda governança local. Porém estes conselhos e algumas instâncias do orçamentoparticipativo padecem de entraves até agora insolúveis.
As unidades de dimensão avantajada não permitem uma real participação devizinhos para discutir assuntos que dizem respeito à vizinhança e ao bairro,mais do que às unidades administrativas mais amplas.
Partidos políticos, que investiram seus esforços na criação de"bases", ocuparam os assentos em tais conselhos e os têm usado paraimplementar a política do partido, mais do que em resolver os problemas locaisnas áreas respectivas.
Vizinhos sem afiliação partidária pouca oportunidade têm de vir a sentar-se emuma dessas cadeiras, embora tenham muito mais afinidade com os demais moradorese conheçam mais seus problemas cotidianos no atendimento de serviços públicos.
A presença de expertos, sobretudo quando acompanhada da arrogância do saber,inibe a participação do cidadão que desconhece os aspectos técnicos, masperfeitamente traduzíveis em linguagem comum, dos problemas em pauta.
Contudo, o qualificativo "democrático" fica mais ameaçado pela lógicada concessão de benesses e privilégios, e não pelos princípios universais dacidadania. Ao contrário do que acontecia na década de 80, nos estertores doregime de exceção, quando a associação vicinal e a prestação de trabalhovoluntário faziam do associativismo popular uma promessa de cidadania.
Não se cumpriu.
Hoje são as bolsas, benesses, indenizações, prêmios e complementações quevigoram na política local. Estes apelam mais para o interesse meramentepecuniário do que para a discussão dos problemas, que envolve aspectos técnicose práticos, a fim de esclarecer a todos. Isto é tanto mais sério quanto menosse trata de discutir demandas ou riscos tecnológicos e mais os serviços queprotegem o cidadão.
Estaremos todos condenados ao neoliberalismo que faz do mercado a solução paratudo?
ALBA ZALUAR escreve às segundas-feiras nestacoluna.
Duas culturas Volta
Folha de São Paulo
Marcelo Gleiser
30/09/2007
Como teorias tão especulativas e tão difíceis de testar podem ser tãopopulares?
Quando a expressão "duas culturas" é mencionada, pensa-se logo nofísico e escritor inglês C. P. Snow, que no final da década de 1950 argumentouque a rixa entre as culturas científica e humanística ameaçava a produçãoacadêmica. Esta poderia tornar-se estéril, destituída de idéias verdadeiramentenovas. Hoje, quero abordar uma outra rixa que, apesar de mais interna à física,repercute em várias áreas. Trata-se da disputa entre os físicos que trabalhamna teoria das supercordas e, essencialmente, todos os outros.
Antes de mais nada, um esclarecimento. "Supercordas" é o nome dado àsteorias da física de altas energias que visam mostrar que tudo que existe nanatureza é manifestação de uma única força. A física descreve o mundo naturalem termos de interações entre os vários tipos de força. Após 400 anos depesquisa e experimentação, a versão atual dessa narrativa resume tudo quepercebemos e medimos em termos de quatro forças: as forças gravitacional eeletromagnética, que conhecemos bem, e as forças nucleares forte e fraca que,como diz o nome, só atuam dentro do núcleo atômico.
Albert Einstein passou os últimos 30 anos de sua vida tentando encontrar umaformulação na qual as forças gravitacional e eletromagnética fossem, naverdade, uma única força, capaz de se manifestar de dois modos.
Apesar de ter falhado na empreitada, a idéia persistiu, em parte porque amaioria dos físicos vive numa cultura monoteísta, em parte pelo sucesso queoutras unificações tiveram na física e em parte porque a função da física étentar obter a descrição mais simples possível dos fenômenos naturais.
Milhares de físicos continuam tentando encontrar essa força unificada. A idéiamais promissora é, sem dúvida, a das supercordas, a teoria que substitui oelétron e outras partículas fundamentais da matéria por tubos de energia -assupercordas- que existem em nove dimensões espaciais (seis a mais do que as quevemos) e cujos efeitos se manifestam a distâncias muito menores do que as quepodem ser medidas experimentalmente, ao menos no futuro próximo.
Nada de errado em construir teorias especulativas sobre o mundo. A maioria dasgrandes idéias científicas surge exatamente assim, por meio de especulações.Mas o que vem ocorrendo é um ressentimento crescente entre os físicos quetrabalham em outras áreas, que afirmam que as supercordas atraem gente edinheiro demais.
Dinheiro, aqui, significa financiamento para pesquisa e o número de empregosnessa área, tanto em pós-doutorados quanto em vagas para professores."Como teorias tão especulativas, que jamais foram demonstradas e que têmchances apenas remotas de serem testadas com a tecnologia atual, podem ser tãopopulares e bem-sucedidas?" -perguntam os físicos de outras áreas. Oproblema é de natureza filosófica, já que a essência da física é a construçãode teorias "testáveis" sobre o mundo. Se uma teoria não pode sertestada, ou se pode ser modificada a cada vez que é demonstrada incorreta,feito um peixe escorregadio que ninguém consegue agarrar, o que essa teoriaexplica? Ela é uma teoria física ou apenas especulação metafísica? Essa é arixa.
O sucesso das supercordas vem do seu apelo mítico: a teoria das teorias, omundo numa equação, a "mente de Deus" etc. Mas não é por isso quedevem ser desmerecidas. Mesmo se erradas, muito se aprende com elas.
Se certas, serão a coroação de quase três milênios de platonismo. Nessemeio-tempo, o ideal não seria cortar o financiamento dessa área de pesquisa,mas ampliar o das outras. Um bolo maior alimenta mais gente.
MARCELO GLEISER é professor de física teórica no Dartmouth College, emHanover (EUA) e autor do livro "A Harmonia do Mundo".
Itamaraty festeja lei de patentes Volta
Propostasde reforma na legislação beneficiam países em desenvolvimento e equilibramrelação com os ricos
O Estado de São Paulo
Jamil Chade
30/09/2007
Depoisde três anos de intensas disputas diplomáticas com os países ricos, o Brasilconsegue aprovar uma reforma na lei mundial de patentes. Na sexta-feira, emGenebra, a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi) acatou 45recomendações de como garantir que a dimensão do desenvolvimento sejarespeitada nos futuros acordos de patentes assinados por países. O Itamaraty,aliado ao governo argentino, considerava a questão uma de suas principaisbatalhas nos últimos anos.
''''Estamosremodelando o papel das patentes'''', disse o presidente do Instituto Nacionalde Propriedade Industrial (Inpi), Jorge de Paula Costa Ávila. Na avaliação dogoverno brasileiro, não se trata de questionar a existência das patentes, masgarantir que tenham também uma função social e colaborem para odesenvolvimento.
Adecisão de iniciar a campanha ocorreu depois de uma avaliação de que o sistemade patentes não estava produzindo benefícios aos países emergentes, mantendomonopólios e dificultando o acesso a remédios e outros bens desenvolvidos nospaíses ricos. Não por acaso, americanos e japoneses tentaram de todas as formasimpedir a aprovação da reforma das leis.
Naprática, as recomendações indicam que todos os acordos futuros relacionados coma proteção de patentes devem garantir certas flexibilidades para os paísesemergentes. Outra medida é exigir o cumprimento de transferência de tecnologiasem entendimentos já fechados entre governos. Na maioria dos acordos assinadosno passado entre países para a proteção de propriedade intelectual, a cláusulasobre transferência de tecnologia raramente era cumprida.
O acordotambém prevê que a Ompi dê assistência técnica aos países mais pobres, levandoem consideração não apenas o interesse das empresas que querem ter suaspatentes protegidas naquele mercado, mas também os interesses dedesenvolvimento dos países.
''''Estamosfinalmente introduzindo a dimensão do desenvolvimento nos debates sobrepatentes'''', comemorou o embaixador da Argentina na ONU, Alberto Dumont. Elereconhece, porém, que a implementação dessas recomendações poderá levar anos.''''O que conseguimos é permitir que o debate sobre as patentes no mundo fosseatualizado'''', disse Guilherme Patriota, diplomata da missão do Brasil na ONUe negociador do País na questão.
Nos últimosanos, vários acordos comerciais foram assinados tanto pelos europeus comoamericanos com países em desenvolvimento e incluíram cláusulas de propriedadeintelectual. Para especialistas, alguns desses acordos são abusivos, já quegarantem a proteção de patentes além do que prevê a lei internacional. Com asnovas recomendações, a esperança é de que esses tratados possam ser evitados.
BARGANHA
Aaprovação das recomendações brasileiras ocorre em um momento em que odiretor-geral da Ompi, o sudanês Kamal Idris, está sendo acusado de corrupção.Apoiado pelos países ricos por adotar posições favoráveis à indústria, Idrispoderia ser destituído. Mas, curiosamente, depois de anos rejeitando asrecomendações do Brasil, passou agora a apoiar o projeto, permitindo suaaprovação. Em troca, se manteve no cargo.
Poucos aproveitam apoio à inovação Volta
Menos de25% das empresas usam os benefícios fiscais da MP do Bem para pesquisar edesenvolver produtos
O Estado de São Paulo
Fabio Graner
01/10/2007
Criadosno fim de 2005, os incentivos fiscais à inovação tecnológica estabelecidos nalei originária da chamada MP do Bem ainda não provocaram um boom deinvestimentos em pesquisa e desenvolvimento de produtos, um dos pontos maisfracos da economia brasileira, apontado pelo governo como uma prioridade.
Emboranão tenha dados estatísticos precisos, o diretor-executivo da AssociaçãoNacional de Pesquisa, Desenvolvimento e Engenharia das Empresas Inovadoras(Anpei), Olívio Ávila, estima que menos de 25% das empresas que poderiamutilizar os incentivos efetivamente o fazem.
'A Leido Bem trouxe grandes avanços em relação à legislação anterior de incentivos,que era pífia. Mas poucas empresas se cadastraram para obter os benefícios.Embora haja crescimento no número de empresas que estão usufruindo da lei, issoocorre de forma lenta', afirmou Ávila. Ele considera os incentivos tão avançadosquanto os dos EUA, Europa e Ásia.
'Oprimeiro motivo para a baixa adesão é o desconhecimento', disse Ávila, que temtrabalhado para apresentar os benefícios da lei às empresas. Outro fator estárelacionado a dúvidas sobre sua aplicação. As empresas temem que a ReceitaFederal não aceite como gastos em pesquisa certas despesas, ou não reconheçacomo inovadores investimentos na melhoria de produtos já existentes.
'Como osincentivos são de aplicação automática, estão sujeitos à auditoria da Receita esuscitam dúvidas sobre como ela vai interpretar', diz Ávila. Nesse sentido, aAnpei sugere ao governo a formulação de um guia do que será considerado peloFisco como trabalho de inovação, para não se criarem 'esqueletos'.
Há aindaproblemas de conflito legal. Embora esteja definido na Lei do Bem que asempresas inovadoras têm preferência nas compras governamentais, o estímuloacaba sendo inócuo, porque a Lei de Licitações não permite tal tratamento. 'Épreciso alterar a Lei de Licitações para que o incentivo seja exercido', disseÁvila.
Além dosproblemas inerentes à própria MP do Bem, a Anpei destaca um mal de origem: osincentivos são para poucas empresas, que apuram o Imposto de Renda pelo sistemade lucro real. Como quem paga imposto no regime de lucro presumido, muito maissimples, não pode acessar os benefícios, 90% das companhias brasileiras ficamde fora.
'Aabrangência da lei é muito restrita. Os incentivos vão apenas para as empresasde maior porte', diz Ávila, destacando que sobretudo as médias empresas sãoprejudicadas.
A Anpeialerta, com base nos dados do IBGE, que no Brasil apenas um terço das empresasinvestiu em pesquisa e desenvolvimento entre 2003 e 2005 e apenas 1,7% dasempresas industriais fizeram investimentos em projetos de inovação.
COLABOROULU AIKO OTTA
Nintendo abala o mercado de novo Volta
Comcontrole revolucionário e ênfase na intuição, a empresa japonesa se consolidacomo líder na corrida dos games
O Estado de São Paulo
Marcel R. Goto
01/10/2007
ShigeruMiyamoto, mentor intelectual da Nintendo e seus sucessos há mais de 20 anos,deu a dica já em 2001. Segundo ele, o grande desafio dos videogames era tornaros jogos mais interessantes e acessíveis, não necessariamente mais bonitos oucom gráficos mais realistas. Era criar um controle que acompanhasse aspossibilidades do que se passava na tela.
Seisanos atrás, o produtor mais bem-sucedido da indústria já estava ocupado com umproblema sério: cada vez mais os videogames se tornavam uma atividade (quase)especializada, para crianças e adultos homens que tinham paciência para lidarcom controles complexos e pouco intuitivos.
Para darum tiro, pular ou chutar uma bola, acessar um menu ou executar qualquer outrocomando, era necessário decorar as funções e as combinações de até dez botõesmais três direcionais diferentes. Isso afastava possíveis jogadores que sóqueriam uma diversão rápida, e limitava as possibilidades de interação.
O Wii,lançado no final do ano passado, ofereceu uma resposta clara para esse problemae está mudando os rumos da indústria com a força de seu sucesso.
Ocoração da estratégia é o Wiimote, apelido que acabou se tornando nome oficialdo controle. Todas as inovações nos joysticks desde 1983 têm partido daNintendo, do direcional em cruz ao 'rumble' (que faz o controle tremer) e ocontrole analógico. Dessa vez, a empresa voltou à prancheta e mudou conceitos básicosdo joystick. O Wiimote possui sensores de movimento e, apontado para a tela,também funciona como cursor, uma espécie de mouse.
Assim,no Wii Sports, que vem incluído no console, o controle é segurado e usado comouma raquete de tênis ou um bastão de beisebol. Em jogos de tiro, como Metroid 3e Red Steel, a combinação de controle analógico em uma mão e o Wiimotefuncionando como cursor em outra oferece uma opção às vezes até superior àeterna combinação entre teclado e mouse. E a intuitividade, maior trunfo doWiimote, aliada aos jogos simples que a Nintendo vem oferecendo, estáclaramente conquistando novos jogadores que antes nunca puseram as mãos numjoystick.
EduardoPugliese, estudante de Engenharia Civil na USP, conta: 'Curto videogames desdea época do Atari e tive a maioria dos consoles até hoje. Apesar de jogarWinning Eleven (simulador de futebol) com meu pai de vez em quando, minha mãenunca se interessou pelos jogos'. Isso mudou dois meses atrás, quando Eduardoadquiriu um Wii. 'Chamei ela para experimentar o Wii Sports, e ela gostou tantoque agora até me pede para ligar o videogame para jogar.' Na família dePugliese, o Wii despertou um pouco do lado gamer até em pessoas maisimprováveis, como sua avó.
Emrecente entrevista à CNN, Miyamoto admite que esse era o tipo de efeito quedesejava obter com o Wii. 'Minha esposa não se interessava por jogo algum,tentei mostrar Tetris a ela, mas até recentemente nada lhe chamava a atenção.Agora estamos começando a derrubar as barreiras, e espero que as mulherespossam curtir mais os jogos.'
Outraamostra do sucesso da nova abordagem da Nintendo são os torneios informais quevêm acontecendo em diversos países. Nos EUA e Inglaterra, Wii Sports e Wii Playdividem espaço com as cartas e outros jogos tradicionais em asilos e hospitais.Em São Paulo, o shopping Tatuapé organizou um torneio de Wii para pais e filhosno mês de agosto.
MarceloElias del Valle, analista de sistemas do Citibank, oferece outra perspectiva.Também fã dos videogames desde criança, acabou se vendo alienado dos jogos peloque sente ser um excesso de complicação nos controles e pouca imersão. 'O Wiime atraiu pela simplicidade, é um tipo de experiência que tinha desaparecidonesses sistemas mais modernos.'
Tecnologias por trás do Wiimote não são novas Volta
O Estado de São Paulo
01/10/2007
O Wiimote emprega duas tecnologias diferentes para suas funcionalidades:acelerômetros ( sensores que detectam a direção e a velocidade do movimento queo jogador faz com o controle) e receptores infravermelhos, que usados emconjunto com a barra colocada sobre a TV (na verdade um emissor infravermelho, enão um sensor), permitem que o jogador use o Wiimote como cursor na tela. Ambasas tecnologias já eram tradicionais em outras indústrias, mas coube à Nintendoa iniciativa de trazê-las para os videogames, reinventando os joysticks.Segundo Maurício Oscar Perez Lisboa, pesquisador da Escola Politécnica da USP,os acelerômetros já eram bastante usados em carros, como sensores que indicam omomento de disparar os airbags. A partir de 1998 eles se tornaram cada vez maisbaratos e miniaturizados, possibilitando seu uso em outras aplicações. Em 2006,antes do lançamento do Wii, um grupo de alunos do curso de Engenharia Elétricada própria Poli desenvolveu uma bateria virtual que funciona sem pratos nemtambores: acelerômetros instalados nas baquetas detectam seus movimentos e osenviam para um computador, que produz os sons.
Caça-pirata, a reação das empresas às falsificações Volta
Profissionalé contratado para denunciar casos de pirataria à polícia
O Estado de São Paulo
Adriana Fernandes
30/09/2007
O avançoda pirataria no Brasil fez surgir um novo profissional no mercado: os caçadoresde produtos falsificados. Contratados pelas empresas vítimas de falsificação,esses profissionais viajam à procura de pontos-de-venda e depósitos demercadorias piratas. Depois de localizados, a polícia, a Justiça e órgãospúblicos de combate à pirataria são acionados para apreenderem a mercadoriailegal.
Emmuitos casos, o próprio fabricante do produto legal é obrigado a manter emdepósitos os bens pirateados até que o processo termine e o juiz dê umadestinação à mercadoria. Além de bancar o pagamento dos especialistas e odepósito das mercadorias piratas, as empresas arcam com os custos do processo,que demora, em média, três a quatro anos.
Oscaça-piratas são treinados para identificar os produtos falsificados com amarca das empresas contratantes e agem com táticas de inteligência investigativa.Trabalham de forma independente ou, na maioria dos casos, vinculados aescritórios de advocacia e entidades de proteção de marcas.
''''Acontratação desses especialistas é hoje um prática comum, porque havia umasituação de muita pressão, com os produtos piratas crescendogeometricamente'''', diz Marco Kirsch, diretor da Associação Comercial,Industrial e de Serviços de Nova Hamburgo, região onde está instalado um dosmaiores pólos de fabricação de calçados do País.
Aentidade criou há três anos a Comissão Antipirataria do Calçado, formada por 12fabricantes de calçados, entre eles a Azaléia, Nike, Freeday, West Coast e GVD(que produz a linhas NBA, Meninas Superpoderosas, Disney Princess, PowerRangers e Batman).
''''Otrabalho tem dado muito resultado, pois temos observado um notável retrocessonas cópias piratas'''', avalia Kirsch. Segundo ele, a comissão funciona como um''''quartel-general'''' para determinar as ações de proteção das marcas ecombate à pirataria. Cada empresa, porém, arca com os custos de contração dosinvestigadores.
ParaFlávio Meirelles, presidente do Instituto Meirelles de Proteção à PropriedadeIntelectual (Imeppi), a contração de serviços de caça-piratas ajuda a diminuiros prejuízos das empresas com as falsificações. ''''Não sai caro para asempresas. Existem empresas que estão vivas hoje graças ao trabalho desenvolvidopor esses grupos de proteção'''', ressalta.
Comequipes em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Salvador, o Imeppiatua para empresas de calçados, óculos, confecções, cigarros e outros produtos.Nasceu há dois anos do trabalho de um escritório de advocacia. SegundoMeirelles, ao proteger a marca, o fabricante dá também um sinal positivo a seusrevendedores, que também são prejudicados com a concorrência desleal dasmercadorias falsificadas.
Amaioria dos caçadores de piratas é formada por advogados. Mas é também comum acontratação de ex-policiais. Esses profissionais também ajudam no treinamentodos servidores de órgãos públicos federal, estadual e municipal que atuam nocombate à pirataria. ''''Essa parceria com o setor público é fundamental'''',diz Newton Vieira Júnior, sócio do escritório Paulista Garé & Ortiz doAmaral Advogados, que comanda uma equipe de caça-piratas e tem como clientes,entre outras empresas, a Nike, Alpargatas, Zoomp, Okley, Chanel e Bic.
Osecretário da Receita Federal, Jorge Rachid, não vê na atuação dessesinvestigadores particulares um sinal de omissão do Estado no combate àpirataria. ''''Temos de trabalhar em harmonia em parceria com o setor privado,que tem nos subsidiado e dado treinamento para reconhecer se um produto éautêntico ou não'''', ressalta o secretário. Ele explica que o combate aoproduto pirata, se não for importado, é de competência estadual.
Rachidrebate as críticas de que o Brasil não tem conseguido combater de formaeficiente a pirataria. ''''Há uma entrada de produtos irregulares no País e nósestamos combatendo. É só verificar os resultados das apreensões. Estamosatuando e agindo sim.''''
Dono da marca é obrigado a guardar 5 mil pares fajutos Volta
O Estadodo São Paulo
30/09/2007
Especializadana fabricação de tênis para skatistas, a gaúcha Freeday convive hoje com aestranha contradição de ter que guardar nos seus depósitos os calçadosfalsificados da própria marca, apreendidos em operações de combate à pirataria.A empresa foi designada pela Justiça como fiel depositária dos tênis piratascom quais os seus produtos originais têm de competir no mercado.
''''Jásão 5 mil pares'''', conta o empresário Antônio de Freitas, dono da Freeday.Alvo de falsificações em vários pontos do País, ele foi obrigado a contratar osserviços de caça-piratas de um escritório de advocacia de Porto Alegre paraproteger a sua marca. Segundo Freitas, muitos alertas dos pontos dos piratassão feitos pelos lojistas que vendem o produto original e sofrem concorrênciadesleal.
''''Essasituação é terrível. Temos de pagar pela equipe de advogados, o frete até odepósito, o armazenamento e a destinação final do produto depois da decisão daJustiça.'''' Na maioria dos casos, os tênis falsificados são destruídos.
ParaNewton Vieira Júnior, sócio da Garé & Ortiz do Amaral Advogados, a mudançana Lei de Propriedade Intelectual é urgente para o combate à pirataria. Segundoele, a pena de um a três meses de detenção para quem vende e de três meses a umano para quem fabrica produtos piratas é muito branda, e ninguém vai preso.
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